• Beleza põe mesa

    Logo4

    Ano vai, ano vem, então é Natal e o que você fez? Aposto que, ao menos uma vez na vida, você apelou para o truque do presente de beleza. É um ótimo coringa, você entra na loja, cheira um creme aqui, prova um batom ali, garante que tem selo de troca e sai feliz da vida por resolver mais alguns presentes da sua lista.

    Eu já fiz isso inúmeras vezes, até hoje continuo fazendo. Só que agora está um pouco mais complicado. Primeiro porque há uma infinidade de marcas, e em cada loja uma infinidade de produtos, cores e cheiros. Se por um lado é uma delícia passear por tantas opções, por outro você vai se ver em meio a dilemas cromáticos jamais imaginados (“dei um vermelho-coral ou um vermelho-alaranjado ano passado?”).

    O segundo problema tem a ver com essa era da pós-verdade (ou hiper-verdade?) da indústria da beleza. Antes de sair às compras é mister saber não só as preferências do destinatário do presente como também toda a sua filosofia de beleza: faz low-poo? No-poo? Usa produtos testados em animais? Só usa marcas importadas? Prefere ingredientes naturais?

    E a última questão, não menos importante e também inerente a todos os presentes, é o custo-benefício. Um batom, um lápis, um perfume de bolsa, alguns sabonetes, são os exemplos clássicos de ‘lembrancinhas’ de lojas de produtos de beleza. Não vai ter aqueeela presença, mas marca a ocasião, resolve o assunto, e a amizade sempre continua.

    Se você entrou em uma dessas lojas nos últimos meses, vai ver que o que antes era uma lembrancinha hoje tem preço de presentão (e, infelizmente, a mesma presença de lembrancinha). O que antes era um presente atencioso, mas sem compromisso, hoje é uma declaração de amor.

    Tudo isso para dizer que eu fiz compras de belê esse fim de ano. Só que agora para quem eu gosto muito, conheço bem o gosto e a filosofia belezística, e que sei que é a cara daquele presente. Se por um lado perdemos em praticidade, hoje esses presentes são mais atenciosos, e refletem as boas conversas sobre beleza que tivemos ao longo do ano.

    *

    Vou descansar a minha beleza em janeiro e volto com mais histórias em fevereiro!

    Leia também

  • Fio a fio

    Logo4

    Outro dia me olhei no espelho e estranhei algo em minha sobrancelha esquerda, que parecia bem mais clara do que a direita. Examinei de perto, e vi uma falha bem no meio dela, rasgando o meio dos pelos sem dó nem piedade. Apelei para uma manobra Donald Trump e penteei os fios mais longos ali para o meio, com a absoluta certeza de que esse arranjo não enganaria os olhares mais treinados.

    Ainda que não tenha descoberto o que causou isso, descobrir a infinidade de produtos para a sobrancelha que temos atualmente foi reconfortante. Lápis cor universal, caneta delineadora, rímel, gel e outros produtos que com certeza eu nem saberia como usar – isso pensando no que é removível.

    Armado o truque, saí para a rua com ar de charlatã aguardando ser descoberta pelo público. Acontece que se você andar por aí com esse assunto na cabeça, vai perceber que as sobrancelhas estão em muita evidência. Quando digo muita, é muita mesmo.

    Basta pegar um metrô lotado pela manhã e você irá comprovar o que te digo. Homens, mulheres, de todas as cores e idades, andam com as sobrancelhas tão marcadas que tive a certeza de que ninguém ia reparar na minha Trump solution.

    Sobrancelhas têm moda própria, isso é sabido, e de uns tempos para cá ela tem sido mais generosa com quem sempre sofreu na pinça. Penugens escuras e grossas são as mais desejadas por loiras, morenos, carecas ou cabeludos.

    Só que quem não tem cão, caça com gato – no caso, com henna, micropigmentação, preenchimento fio a fio e muitas técnicas permanentes para os corajosos (e talvez incautos). Até aí, solução justa.

    O que me incomodou mesmo foi ver que seduzidos pela tentação de ficar na moda, poucos prestem atenção ao formato do seu rosto e, principalmente, o que combina com ele. E dá-lhe um festival de sobrancelhas que parecem flutuar no rosto alheio, passando férias em outras faces.

    O alívio de ver que a minha sobrancelha não era lá tão chamativa abriu caminho para uma nova preocupação: até quando eu poderia manter o meu truque sem apelar para algo mais definitivo? Seria eu a próxima pessoa com a sobrancelha de outro estampada no meu rosto?

    Na dúvida, liguei para a dermatologista e agendei uma consulta de encaixe. Afinal, a moda passa, e quando menos esperar, serei a única com sobrancelhas artificialmente grossas do vagão.

    Tags:

    Leia também

  • Ovo e a galinha

    Logo4

     

    Abrindo espaço aqui para um poeminha <3

     

    Quem veio primeiro:
    a alegria ou o batom vermelho?

    Você passou porque tava alegre?
    ou se alegrou ao se ver vermelha?

    Ele levanta o seu dia
    ou o dia se levanta por causa dele?

    Talvez tenha se pego sorrindo sozinha para o espelho
    se olhando de todos os ângulos
    gostando do que vê

    Ou então quis trazer esse sentimento de volta
    um re-conhecimento
    da beleza escondida pela rotina/retina

    Gastou a tinta em sorrisos
    palavras
    e em alguns copos de plástico

    A alegria há de durar um pouco mais.

    Leia também

  • Movimento sem maquiagem: liberdade ou prisão?

    Tem crescido o movimento sem maquiagem, principalmente entre celebridades. A precursora desta mobilização é a top Grammy Awards Alicia Keys, que se diz cansada da ditadura da beleza.

    aliciaMas tenho percebido também que existe uma “patrulha” que critica fortemente quem não vive sem maquiagem. Eu conheço VÁRIAS amigas que não vão à padaria sem um BB cream. Eu mesma não consigo imaginar ir ao trabalho sem maquiagem, apesar de só usá-la para este fim e outras ocasiões como baladinhas, pois a abandono completamente aos finais de semana e feriados.

    makeMas afinal, quem está certo? Primeiramente, não existe certo e errado quando se trata de ponto de vista. Conversando com uma grande amiga sobre a maquiagem te aprisionar ou não, ela me disse uma frase que me marcou: “uma coisa só te aprisiona se te fizer mal”. Ou seja, se você se sentir obrigada a usar maquiagem e isso for um fardo, não use. Porém, se ficar sem maquiagem faz com que você se sinta mal, envergonhada, então a prisão é essa!

    liberdade

     

     

    Leia também

  • Velha roupa colorida

    Logo4

    Se tem uma sensação melhor do que comprar roupa nova, é aquela que acompanha a de colocá-la no armário, reinando sobre as velhas. É uma sensação fugaz, nós sabemos, afinal usaremos a nova na primeira oportunidade, e no dia seguinte olharemos ingratas para o armário lotado, repetindo baixinho, com vergonha do impropério: não tenho roupa…

    E ainda que achemos que a maioria das nossas roupas não prestam, por algum motivo místico elas se mantém no armário por um, dois, dez anos. Além da necessidade, claro que tem um fator emotivo aí no meio, e ele se revela em dias de arrumação.

    Roupas não são apenas roupas: elas ajudam a contar a nossa história — e dá-lhe nostalgia, lágrimas de crocodilo e promessas de regeneração enquanto se agarra àquela blusinha já toda amarelada que usou no primeiro dia da faculdade. Acho que é por isso que é tão difícil se livrar de certas peças em “petição de miséria”, como diria minha mãe, enquanto outras vão embora facinho, enquanto se comemora um novo cabide vazio.

    Muitas dessas peças não tão queridas são novas, e aí começa o novo dilema: doo? Faço pano de chão? Passo para minha irmã? Todas opções válidas. E, ultimamente, outra moda que ganhou força ajuda nessas horas: os sites de venda de roupas usadas.

    Entrei num desses sites para vender uma calça que comprei num impulso e nunca usei. Enquanto passeava pelas páginas me diverti em ver o contorcionismo das outras vendedoras tentando me convencer a comprar itens “usados pouquíssimas vezes” e “super na moda” que provavelmente não eram lá muito necessários e foram comprados em dias pouco inspirados.

    Era o caso na minha calça infeliz: uma calça social preta com uma listra branca na lateral. No anúncio você leria “calça super curinga, usada poucas vezes, estilosa”, mas na verdade o que eu deveria dizer é que: comprei essa calça num sábado nublado numa promoção de uma dessas lojas que te convencem que você pre-ci-sa de uma calça da moda. Provei em casa, me olhei no espelho, e lá vi: parecia o Michael Jackson, ainda mais com um par de meias brancas que usava inadvertidamente na ocasião. Deixei ela num canto do armário por meses. Tentei desovar para a minha irmã. Ela chegou à mesma conclusão. Agora ela pode ser sua! Usada poucas vezes, super curinga!”.

    Ainda que rendesse boas risadas, acho que não conseguiria me livrar da calça. Moral da história: menos compras em dias pouco inspirados (e de meias brancas), mais compras focadas e necessárias. Se a minha calça for o que você precisa, estou à disposição. E eu tô precisando muito desse cabide!

    Leia também

Desenvolvido por Finalité Marketing

Back to Top