• Beleza põe mesa

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    Ano vai, ano vem, então é Natal e o que você fez? Aposto que, ao menos uma vez na vida, você apelou para o truque do presente de beleza. É um ótimo coringa, você entra na loja, cheira um creme aqui, prova um batom ali, garante que tem selo de troca e sai feliz da vida por resolver mais alguns presentes da sua lista.

    Eu já fiz isso inúmeras vezes, até hoje continuo fazendo. Só que agora está um pouco mais complicado. Primeiro porque há uma infinidade de marcas, e em cada loja uma infinidade de produtos, cores e cheiros. Se por um lado é uma delícia passear por tantas opções, por outro você vai se ver em meio a dilemas cromáticos jamais imaginados (“dei um vermelho-coral ou um vermelho-alaranjado ano passado?”).

    O segundo problema tem a ver com essa era da pós-verdade (ou hiper-verdade?) da indústria da beleza. Antes de sair às compras é mister saber não só as preferências do destinatário do presente como também toda a sua filosofia de beleza: faz low-poo? No-poo? Usa produtos testados em animais? Só usa marcas importadas? Prefere ingredientes naturais?

    E a última questão, não menos importante e também inerente a todos os presentes, é o custo-benefício. Um batom, um lápis, um perfume de bolsa, alguns sabonetes, são os exemplos clássicos de ‘lembrancinhas’ de lojas de produtos de beleza. Não vai ter aqueeela presença, mas marca a ocasião, resolve o assunto, e a amizade sempre continua.

    Se você entrou em uma dessas lojas nos últimos meses, vai ver que o que antes era uma lembrancinha hoje tem preço de presentão (e, infelizmente, a mesma presença de lembrancinha). O que antes era um presente atencioso, mas sem compromisso, hoje é uma declaração de amor.

    Tudo isso para dizer que eu fiz compras de belê esse fim de ano. Só que agora para quem eu gosto muito, conheço bem o gosto e a filosofia belezística, e que sei que é a cara daquele presente. Se por um lado perdemos em praticidade, hoje esses presentes são mais atenciosos, e refletem as boas conversas sobre beleza que tivemos ao longo do ano.

    *

    Vou descansar a minha beleza em janeiro e volto com mais histórias em fevereiro!

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  • Fio a fio

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    Outro dia me olhei no espelho e estranhei algo em minha sobrancelha esquerda, que parecia bem mais clara do que a direita. Examinei de perto, e vi uma falha bem no meio dela, rasgando o meio dos pelos sem dó nem piedade. Apelei para uma manobra Donald Trump e penteei os fios mais longos ali para o meio, com a absoluta certeza de que esse arranjo não enganaria os olhares mais treinados.

    Ainda que não tenha descoberto o que causou isso, descobrir a infinidade de produtos para a sobrancelha que temos atualmente foi reconfortante. Lápis cor universal, caneta delineadora, rímel, gel e outros produtos que com certeza eu nem saberia como usar – isso pensando no que é removível.

    Armado o truque, saí para a rua com ar de charlatã aguardando ser descoberta pelo público. Acontece que se você andar por aí com esse assunto na cabeça, vai perceber que as sobrancelhas estão em muita evidência. Quando digo muita, é muita mesmo.

    Basta pegar um metrô lotado pela manhã e você irá comprovar o que te digo. Homens, mulheres, de todas as cores e idades, andam com as sobrancelhas tão marcadas que tive a certeza de que ninguém ia reparar na minha Trump solution.

    Sobrancelhas têm moda própria, isso é sabido, e de uns tempos para cá ela tem sido mais generosa com quem sempre sofreu na pinça. Penugens escuras e grossas são as mais desejadas por loiras, morenos, carecas ou cabeludos.

    Só que quem não tem cão, caça com gato – no caso, com henna, micropigmentação, preenchimento fio a fio e muitas técnicas permanentes para os corajosos (e talvez incautos). Até aí, solução justa.

    O que me incomodou mesmo foi ver que seduzidos pela tentação de ficar na moda, poucos prestem atenção ao formato do seu rosto e, principalmente, o que combina com ele. E dá-lhe um festival de sobrancelhas que parecem flutuar no rosto alheio, passando férias em outras faces.

    O alívio de ver que a minha sobrancelha não era lá tão chamativa abriu caminho para uma nova preocupação: até quando eu poderia manter o meu truque sem apelar para algo mais definitivo? Seria eu a próxima pessoa com a sobrancelha de outro estampada no meu rosto?

    Na dúvida, liguei para a dermatologista e agendei uma consulta de encaixe. Afinal, a moda passa, e quando menos esperar, serei a única com sobrancelhas artificialmente grossas do vagão.

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  • Ovo e a galinha

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    Abrindo espaço aqui para um poeminha <3

     

    Quem veio primeiro:
    a alegria ou o batom vermelho?

    Você passou porque tava alegre?
    ou se alegrou ao se ver vermelha?

    Ele levanta o seu dia
    ou o dia se levanta por causa dele?

    Talvez tenha se pego sorrindo sozinha para o espelho
    se olhando de todos os ângulos
    gostando do que vê

    Ou então quis trazer esse sentimento de volta
    um re-conhecimento
    da beleza escondida pela rotina/retina

    Gastou a tinta em sorrisos
    palavras
    e em alguns copos de plástico

    A alegria há de durar um pouco mais.

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  • Batalha da hidratação

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    Nasci e cresci num ambiente bastante feminino. Sempre dividi casa e, principalmente, o banheiro, com mais três mulheres. Isso significa prateleiras e armários lotados de produtos de todos os formatos e finalidades, cada qual com a sua dona — e alguns relatos isolados e jamais provados de furtos de fragrâncias.

    Eis que quando me mudei para morar com um menino, a coisa mudou bastante. De repente eu tinha muito mais espaço para minhas coisas: cremes, shampoos, esfoliantes e frescurinhas se acumulavam nas prateleiras. Tudo que eu precisava ceder era espaço para um shampoo anticaspa. Moleza.

    Eis também que eu percebi que as coisas se acumulavam, eram muitas e, pior: eram todas minhas! Não dava para culpar ninguém nesse caso, e a hipótese de furto era mais remota ainda.

    E antes que você ache que este é mais um texto sobre como o capitalismo nos faz comprar produtos, esclareço desde já: eu amo meus produtos e eu preciso deles. Cada um tem a sua função, e eu adoro tirar uma ‘tarde de beleza’ para usar as maiores frescurites e com direito a touca florida de banho na cabeça.

    Ainda assim, um item se sobrepunha a todos os outros, eu não podia negar: os cremes hidratantes. Minha pele é realmente seca e precisa deles, mas não deixa de ser divertido pensar em todas as suas variedades e utilidades.

    Só no meu banheiro encontrei hidratante: para o cabelo; para usar no banho; para o rosto; para as mãos; para os pés; para as cutículas das unhas da mão; para depois da depilação; e, finalmente, para o corpo. Quatro, no total: para ocasiões especiais (=caro e cheiroso), firmador, para pele seca, e um normal sem grandes características marcantes.

    Seria mais fácil tomar banho de Monange, admito, mas também bem menos divertido. E pela profusão de resenhas de hidratantes nos blogs de beleza (Belezices incluído!), não estou sozinha nessa praia (esqueci o hidratante pós-sol!).

    Mas o melhor insight sobre o assunto veio espontâneo, daquele com quem hoje divido (ou me apodero) o banheiro. Quando comentei que ia fazer uma hidratação no cabelo, ele me olhou confuso, e disparou: “Como assim? Com água? Vai lavar o cabelo, é isso?”.

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  • Vanguarda

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    Fui outro dia com uma amiga em uma perfumaria do centro procurar um óleo específico para o cabelo. Há algum tempo ela aderiu ao no-poo, uma técnica de lavagem dos cabelos que envolve o uso de produtos com menos agentes químicos. Como sei pouco do assunto, fiz desde perguntas estúpidas como “não usa shampoo, por isso no poo?” até “por que diabos resolveram colocar sulfato nas coisas??”.

    Para facilitar a vida das novatas, muitos blogs e páginas em redes sociais já fizeram o trabalho sujo de verificar, rótulo por rótulo, quais seriam os produtos indicados para quem quer aderir à técnica (minha miopia agradece). Logo pensei em marcas caras e desconhecidas: ledo engano.

    De repente estava percorrendo corredores de perfumarias atrás de… um shampoo Monange. Sim, aquele rosa, barato, que tem em todo canto. Ele tá liberado. E sabe quem mais? O indefectível Acquamarine, um clássico no box de 9 em cada 10 avós nos anos 90.

    Só isso já foi suficiente para eu me animar. Mas o melhor ainda estava por vir: Neutrox e Seda Ceramidas também estavam na lista, o que significa que eu manjava tudo dos sulfatos na adolescência.

    Quer ir adiante (ou, no caso, adentrar o túnel do tempo)? O creme y-a-m-a-s-t-e-r-o-l está voando das prateleiras. Aquele sim é o cheiro de infância mais longínquo da minha memória. Lembro-me quando minha vó enrolou meu cabelo com bobs e muito creme yamasterol, para desespero da minha mãe. Se ela soubesse que era no-poo, talvez não tivesse ligado tanto!

    E por falar na minha mãe, além dos produtos que já falei antes, me lembro de peregrinar por perfumarias atrás do poderoso (porém raro) shampoo Phytoervas de Jaborandi. Nunca soube o que é um jaborandi, mas me perguntei isso todas as vezes que percorremos mais de uma loja para encontrar o maldito do shampoo, e ela não desistia. Certa ela.

    Toda essa história acabou virando uma deliciosa volta ao passado, mas a pulga ficou atrás da orelha: se estamos voltando a usar tudo que era moda há alguns anos, isso significa que fazíamos a coisa certa, passamos a conturbada adolescência e início de vida adulta fazendo tudo errado para agora voltar à uma vida mais natural?

    Influência da indústria nacional? Lobby do sulfato? Crise da meia idade? Tudo isso junto e misturado? Provável. Afinal, a moda é cíclica, todo mundo diz. Só por favor não precisa voltar aqueles cabelos bufantes dos anos 80 e 90…

     

     

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